[o nariz] nicolai gogol, ed. l&pm, 2007
um sonho russo. apesar de ter sido publicado pela primeira vez em 1836, continua tão hype quanto as fotografias do david lachappelle ou os filmes do tarantino. não por isso, mas nicolai gogol (pronuncia-se gógol) pode ser considerado um dos precursores do surrealismo. o conto parece uma estória de bonequinhos de massinha. é simples, curto, fantasioso e alegre. narra o episódio de um burguês que um dia acorda e descobre que seu nariz misteriosamente desapareceu (não o seu; o dele). então, o cara sem nariz sai pelas ruas de são petesburgo na tentativa de encontrar o nariz. e o encontra. apressado e bem vestido, o nariz está lá andando no outro lado da rua. esses acontecimentos absurdos e bem articulados explicam por que gogol é um dos precursores do surrealismo. além de parte essencial do rosto humano, o nariz pode representar simbolicamente o orgulho. daí o conto ser lido como uma crítica comportamental intercalada por denúncias sociais da russia do século 19. olha, gogol era ucraniano, tá?
[melhor momento para ler] primeiro de abril
[para ouvir depois de ler] idem, móveis coloniais de acaju (2005)
[um bom presente para] catarinenses da cidade de joaçaba
[para aprofundar] o visconde partido ao meio, ítalo calvino
[trecho] “mas como!, exclamou, o senhor tem o topete de caçoar de mim! Não está por acaso vendo que me falta justamente o órgão com o qual se cafunga! ao diabo com o seu sujo tabaco! estou num estado que me leva a recusar o melhor rapé!”
[nota] ms
